Queda das margens das empresas compromete investimentos

Por José Valter Martins de Almeida, da RC Consultores

Um estudo elaborado pelo Centro de Estudos do Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais – Cemec/Ibmec – mostra que o recuo na poupança das empresas impactou na queda de 3 pontos percentuais do investimento no PIB entre 2010 e 2014. O estudo analisou os resultados de 741 empresas, abertas e fechadas, excluindo as empresas do grupo X, para não distorcer os resultados, entre 2010 e 2013. Nesse período, o lucro desse grupo caiu 40,6%. O lucro é a principal fonte de geração de poupança para financiar o investimento. Mesmo retirando do grupo a Petrobras, Eletrobrás e Vale, o recuo, embora menor, ainda é importante: 23%. A queda do lucro foi generalizada e os dois únicos setores nos quais ainda houve crescimento foram o agropecuário e serviços com aumento de 306,9% e 43,6%, respectivamente. Por outro lado, subsetores da indústria como o de mineração, o de siderurgia e metalurgia e o de eletroeletrônicos tiveram quedas de 66,8%, 58,9% e 45,9%, respectivamente. Nesse mesmo período, a poupança e o investimento desabaram simultaneamente nas contas nacionais. A poupança doméstica que em 2010 era 17,5% do PIB, em março deste ano ficou em 13,6%, a menor taxa desde 2001. O mesmo aconteceu com o investimento, que recuou de 19,5% em 2010 para 17,4% do PIB no terceiro trimestre deste ano.

O estudo mostra que o recuo do lucro das empresas foi provocado por uma retração muito forte nos resultados operacionais por causa da queda nas margens. Essas empresas não conseguiram repassar a alta de custos para os preços por causa da concorrência dos importados. Um dos fatores que provocou a redução das margens foi a alta dos salários reais acima da produtividade do trabalho. Entre 2004 e 2013, o salário médio real da indústria de transformação aumentou 36% e a produtividade do trabalho avançou 14%, sendo que a maior parte do crescimento real dos salários ocorreu a partir de 2010. O estudo mostra que os preços dos importados em reais cresceram muito menos do que o custo unitário do trabalho, influenciado pela apreciação do câmbio. De fato, a taxa de investimento no Brasil é muito baixa. O aumento do investimento depende dos lucros das empresas. O aumento do salário real acima da produtividade de um lado e a elevada carga tributária do outro comprometem as margens das empresas. A tributação excessiva e a complexa estrutura de impostos na mão de obra, nos bens de capital, nos insumos, na energia, fazem explodir o custo de produção. Para que o país possa ser mais competitivo é necessário e urgente desonerar e simplificar o Brasil.

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