Reação econômica na Europa não garante fim da crise

Por Marcel Caparoz, da RC Consultores

Em meio à recente turbulência criada na economia americana, em razão de um possível calote da dívida pública do país, a economia europeia continua demonstrando claros sinais de melhora. Os dados de vendas de varejo nos países da Zona do Euro divulgados ontem pela Eurostat tiveram surpreendente crescimento de 0,7% em agosto na comparação com o mês anterior. Em julho, a alta foi de 0,5%, enquanto o mercado esperava apenas 0,2%. Parte desse resultado foi fruto do forte avanço de países periféricos, como Portugal (4,8%) e Espanha (3,8%). Além dos dados do varejo, foi divulgado também o bom desempenho da produção econômica (indústria e serviços) da Zona do Euro, que em setembro registrou alta para o nível de 52,2, contra 51,5 de agosto, o maior resultado em mais de 27 meses.

Embora esses indicadores indiquem uma recuperação consistente da economia do continente, não garantem de forma alguma o fim da crise na região. A taxa de desemprego permanece com taxas muito elevadas, na casa de 12,0%, alcançando em alguns países valores insustentáveis, como em Portugal (16,5%) e Espanha (26,2%). A produção industrial na Zona do Euro registrou queda de 1,5% em Julho de 2013 quando comparada ao mês anterior, e 2,1% em relação a 2012. Até mesmo a Alemanha teve queda na produção de 2,3% na comparação mensal. Um eventual afrouxamento da meta de ajuste fiscal poderá injetar uma dose a mais de confiança nas economias da região. No entanto, o elevado grau de endividamento dos países impedirá medidas mais extremas nesse sentido. O ranger de dentes no continente ainda não acabou.

Ed.285

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