Resultado Fiscal do Governo Central é o pior desde 1997

Por José Valter Martins de Almeida e Marcel Caparoz, da RC Consultores

As contas públicas da União registraram em setembro déficit primário recorde de R$ 20,4 bilhões, o pior resultado desde o início da série, em 1997. Segundo o Tesouro Nacional, nos nove primeiros meses de 2014 tivemos resultado positivo em apenas três deles. No ano, o déficit primário já atinge a marca de R$ 15 bilhões, praticamente inviabilizando o plano do governo em economizar 1,55% do PIB.

Dois fatos chamam a atenção nesse resultado. Embora o Brasil tenha uma das mais elevadas cargas tributárias para países emergentes, a arrecadação de tributos, que no acumulado em 12 meses cresceu 10,4%, não está conseguindo pagar as despesas, que cresceram 13,4% no mesmo período e que correm, insistentemente, acima do PIB nominal, o que impede o equilíbrio fiscal. A segunda é a falta de comprometimento do governo central com os ajustes necessários. Para fechar o resultado com superávit, o governo tem recorrido a receitas extraordinárias e à “contabilidade criativa” ao longo dos dois últimos anos. No entanto, com a economia mais fraca indicando frustração com a receita, despesas em patamares elevados e diminuição do espaço para a “contabilidade criativa”, o governo terá que anunciar que não terá como cumprir a meta fiscal este ano. O descompasso permanente entre o ritmo de crescimento das receitas e despesas compromete ainda mais a credibilidade da condução da política fiscal pelo Governo Federal.

Comentários

comentários

Posts relacionados

34% dos consumidores dizem não ter controle dos ganhos e gastos

Para investigar os hábitos sobre controle orçamentário e fontes de informações sobre o tema, a Boa Vista SCPC realizou uma pesquisa inédita com aproximadamente 1200 consumidores, de todo o Brasil, e constatou que 34% dos entrevistados não controlam o quanto ganham e gastam no mês. Realizada entre os meses de maio e julho, a pesquisa…

Percentual de cheques devolvidos atinge 1,70% em outubro

O número de cheques devolvidos (segunda devolução por falta de fundos) como proporção do total de cheques movimentados[1] foi de 1,70% em outubro, registrando considerável redução em relação ao mesmo mês do ano anterior (-0,76 p.p.). Na comparação mensal, o percentual de cheques devolvidos sobre movimentados diminuiu frente ao mês de setembro (quando o nível…

Vendas no varejo crescem 0,5% em setembro e caem 0,6% no acumulado 12 meses

De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada pelo IBGE, o volume de vendas no Varejo restrito subiu 0,5% em setembro na comparação mensal (com ajuste sazonal), enquanto na variação acumulada em 12 meses, a trajetória do indicador apresentou melhora de 1 p.p. em relação ao mês anterior, apresentando retração de apenas 0,6%….