Too big to fail?

Por Flávio Calife, da área de Indicadores e Estudos Econômicos da Boa Vista SCPC

Depois de se reunir ontem por doze horas, o conselho de administração da Petrobras decidiu divulgar hoje o balanço do 3º trimestre de 2014, não auditado e sem as devidas baixas contábeis referentes aos desvios por corrupção e por perda de valor de alguns de seus ativos. Em comunicado, a empresa admite que “será necessário realizar ajustes nas demonstrações contábeis para a correção dos valores dos ativos imobilizados que foram impactados por valores relacionados aos atos ilícitos perpetrados por empresas fornecedoras, agentes políticos, funcionários da Petrobras e outras pessoas no âmbito da ‘Operação Lava Jato’”.

Os conselheiros ainda julgaram não ser possível “quantificar de forma correta, completa e definitiva tais valores que foram capitalizados em seu ativo imobilizado”, e que as abordagens alternativas até agora adotadas para tentar corrigir os valores se mostraram inapropriadas. De fato, as expectativas dos analistas de mercado mostram que as baixas contábeis podem variar entre R$ 10 bilhões e R$ 40 bilhões, ou seja, ainda há muita dúvida sobre o tamanho da limpeza a ser feita nos balanços da empresa, e dificilmente o levantamento será realizado em tempo curto.

O propósito da divulgação, nesse caso, deixa de ser informativo, já que os resultados terão pouca utilidade prática devido à baixa credibilidade dos dados financeiros, e passa a ser exclusivamente o de evitar que credores peçam o pagamento antecipado de dívidas e comprometam demais o caixa da empresa. Enquanto isso, as consequências são visíveis: desde o primeiro atraso na divulgação dos balanços em 13 de novembro de 2014, as ações da empresa já amargam queda de mais de 30%. Com as incertezas sobre a magnitude de perdas e a indefinição sobre a publicação auditada, o cenário para a Petrobras deverá continuar se deteriorando. E caso o balanço anual não seja divulgado até junho de 2015, o montante de dívidas a serem antecipadas pode exigir uma ação do governo para resgatar a companhia da insolvência.

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