Varejo e inadimplência

A atual dinâmica do varejo tem refletido em grande parte os efeitos da pressão inflacionária e baixa confiança na economia. Tal mudança do comportamento de consumo tem nos trazido subsequentes resultados de declínio: de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada ontem pelo IBGE, o volume de vendas no varejo restrito caiu 0,4% no resultado mensal de abril contra março, considerando a série dessazonalizada. Essa é a terceira queda consecutiva no ano para o comércio, acumulando no ano 1,5% de queda quando comparado contra o mesmo período do ano passado.

Tais números são bastante significativos. O varejo, que já foi considerado a locomotiva do setor de serviços, crescendo ao longo da década passada em ritmo praticamente chinês, em 2015 poderá até mesmo registrar seu primeiro recorde negativo.

De fato, a desaceleração já havia sido observada nos últimos 2 anos, mas neste especificamente a conjuntura macroeconômica não favorece em nenhum sentido os resultados do setor. E para além das tradicionais variáveis que rotineiramente observamos, como inflação, renda e juros, outra preocupante variável também começa a retornar ao cenário: a inadimplência.

Apesar de esperarmos um fluxo ainda pequeno para os novos registros de inadimplência 2015 (+ 3,0%), a capacidade de pagamentos de dívidas antigas do consumidor também tem mostrado contínua queda. O indicador de recuperação de crédito da Boa Vista SCPC, divulgado ontem, apontou em maio recuo de 3,3% na análise acumulada de 12 meses, e dificilmente retornará a um patamar positivo neste ano. A maior dificuldade do consumidor em recuperar o crédito é mais um agravante no desafiador cenário do varejo para 2015.

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