[ANÁLISE PMC] Comércio varejista sem fôlego

Apesar da alta de 0,4% das vendas do varejo em janeiro na comparação com dezembro, já descontados os efeitos sazonais, não há muitas razões para se animar com o cenário que se desenha para o setor neste ano. “O ligeiro aumento ocorre após uma expressiva queda de 2,1% em dezembro”, argumentam os economistas da Boa Vista, que chamam atenção para oscilação entre altas e quedas mensais observadas nas vendas nos últimos meses.

“Após queda em outubro, novembro foi um mês positivo para as vendas do varejo, impulsionadas pela publicidade e pelas promoções da Black Friday. O desempenho na data, porém, parece ter sido reflexo, principalmente, de um movimento de antecipação das vendas do Natal. Em janeiro, as vendas ficaram praticamente estáveis na comparação mensal e cresceram menos de 2% na comparação anual, apresentando desaceleração em doze meses. O comércio está sem fôlego!”, destaca a equipe econômica da Boa Vista, lembrando que o setor chegou a cresceu 3,7% em abril de 2018 na comparação de 12 meses contra os 12 meses anteriores, e vem recuando desde então, registrando hoje crescimento de apenas 2,2% nessa mesma base de comparação.

Segundo os economistas, o mercado de crédito favorável, com taxas de inadimplência dos consumidores próximas aos menores níveis da história, não tem sido suficiente para compensar a lenta recuperação do mercado de trabalho e as incertezas que pairam no cenário econômico.

“A taxa de desemprego segue elevada, em 12%. O pequeno recuo observado em um ano se deve principalmente ao aumento do número de trabalhadores por conta própria, que tendem a manter um comportamento de consumo mais cauteloso, especialmente diante das incertezas que ainda existem a respeito dos rumos da política econômica”, argumentam.

Na análise do desempenho por setor, a equipe da Boa Vista destacou o crescimento mensal das vendas dos setores de Tecidos, vestuário e calçados (+0,1%), Móveis e eletrodomésticos (+0,4%) e Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (8,2%), que haviam registrado queda em dezembro.

Para os economistas, o cenário para os próximos meses não é muito animador. Além dos motivos já citados, outro sinal é o fraco desempenho da indústria neste início de ano. “Os dados da produção indicam que o comércio está bastante cauteloso nas encomendas para o setor industrial”, concluem os economistas.


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