Segundo caso de Ebola no Texas faz disparar custos da “economia do medo”

Por Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores

O custo direto da epidemia de Ebola sobre a economia dos países afetados pode chegar, num cenário adverso, a cerca de US$ 32 bilhões até o final de 2015, segundo estudo recente do Banco Mundial. Este valor, embora medido em bilhões, não chega a impressionar quando cotejado com o PIB mundial, da ordem de US$ 70 trilhões. Seria apenas cerca de 0,05% de perda estimada. Entretanto, esta estimativa preliminar e conservadora não computa o custo muito mais amplo de um eventual surto em países mais avançados, nos EUA e Europa. Se o surto da doença se confirmar nas economias centrais, deflagrará uma gravíssima reação em cadeia pelos governos e pessoas, em particular nos ainda não afetados, com vistas a tentar bloquear a transmissão internacional do vírus. Trata-se de uma verdadeira corrente recessiva, uma “economia do medo”, esta sim, podendo acarretar enormes custos indiretos, pelos diversos tipos de bloqueio à livre circulação de pessoas.

Noticia-se que a Colômbia passou a impor controle à entrada de pessoas provindas das áreas mais afetadas – Libéria, Guiné, Serra Leoa e Nigéria. Por sua vez, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, fez um apelo dramático, na reunião anual do órgão, para que os países não produzam, com suas medidas de controle, um “embargo na prática” aos países visados, que são economias pobres e submetidas a um colapso de suas atividades econômicas. O efeito provocado pela “economia do medo” poderá assumir contornos dramáticos nos próximos meses, quando se projeta o avanço de 10 mil novos casos da doença por semana, lá para dezembro deste ano. Mas os modelos de propagação da doença são especulativos. Há projeções que chegam a 200 mil casos por semana. Com um nível de letalidade indo de 50 a 70%, o Ebola pode começar afetando criticamente as empresas aéreas, como ocorreu com a epidemia de Saars em 2003. Em seguida, poderá se estender a toda indústria do turismo. E se o pânico vier a se disseminar em países centrais, o nível de circulação de pessoas em locais públicos, como shoppings, escritórios, salas de espetáculo etc, poderá cair muito.

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