Primeiro trimestre do ano mostra nova desaceleração para o varejo

Por Yan Nonato Cattani, Economista da Área de Indicadores e Estudos Econômicos da Boa Vista SCPC

 

Hoje o IBGE divulgou seu resultado sobre as vendas no varejo. O indicador registrou queda de 0,5%, resultado pouco pior do que o esperado pelo mercado (-0,2%) na véspera, de acordo com o Jornal Valor Econômico de hoje. O resultado segue praticamente em linha com o indicador coincidente do setor da Boa Vista SCPC, o Movimento do Comércio, que já havia apontado uma queda (-0,9%) no varejo restrito, mantida a base de comparação.

No indicador oficial, avaliando as aberturas do indicador restrito pela variação interanual (março de 2014 frente a março de 2013), cinco de oito categorias registraram diminuição das vendas: Livros, jornais, revistas e papelaria (-8,3%); Tecidos, vestuário e calçados (-7,3%); Materiais para escritório, informática e comunicação (-4,9%); Hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,8%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-3,8%).

Mantendo a base de comparação, observando os setores análogos ao do indicador do IBGE e também contemplados pelo indicador da Boa Vista, verificou-se que as variações de março caminharam para o mesmo sentido, com exceção do setor de Tecidos, vestuário e calçados, que obteve alta de 5,7% (frente a queda de 7,3%, já mencionada acima). Para os demais setores, a configuração ficou: Combustíveis e lubrificantes (10,5%); Móveis e eletrodomésticos (8,7%); e Supermercado, alimentos e bebidas (-0,8%).

Tabela Comércio Mar14

Na comparação de longo prazo, avaliada pelo valor acumulado em 12 meses, observa-se uma convergência dos indicadores. Por exemplo, a categoria com maior peso em ambos indicadores, supermercados, caiu de 2,7% em fevereiro para 2,1% no mês atual para o indicador oficial, enquanto no indicador da Boa Vista SCPC houve retração de 0,8 p.p. atingindo 2,2% em março.

Em linhas gerais, podemos dizer que o primeiro trimestre de 2014 obteve um resultado em linha com as expectativas de mercado, desacelerando. Levando em consideração estas evidências, para os próximos meses podemos afirmar que o setor varejista deverá apresentar nova queda de seu crescimento, devendo encerrar o ano com alta próxima de 4,0%. Contudo, ainda há de se contabilizar alguns efeitos que poderão dar algum fôlego (ou não) ao comércio, a exemplo do evento da Copa do Mundo e também as Eleições no último trimestre. A ver.


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