POF 2017-2018: Brasileiros já gastam mais com transportes do que com alimentação; habitação é a principal despesa das famílias

O IBGE divulgou na última sexta-feira, 4, a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) referente ao período de 2017 e 2018, que tem como um dos principais objetivos disponibilizar informações mais recentes a respeito do perfil das despesas das famílias brasileiras. A última POF trazia dados dos anos de 2008 e 2009. A anterior havia sido realizada entre 2002 e 2003.

A comparação dos resultados permite uma melhor compreensão das mudanças estruturais no perfil de consumo das famílias brasileiras. Nesta POF mais recente, por exemplo, chamou atenção o fato de que as despesas com transporte, que responderam por 18,1% do total das despesas de consumo (contra 19,6% em 2008-2009), superaram pela primeira vez os gastos com alimentação, cuja participação foi de 17,5% no período analisado (contra 19,8% em 2008-2009).

Tanto as despesas com educação como as despesas com transporte, contudo, perderam espaço para os demais agrupamentos. A participação do grupo habitação passou de 35,9% para 36,6%. A de gastos com assistência à saúde, de 7,2% para 8%. A participação dos gastos com educação, por fim, passou de 3% em 2008-2009 para 4,7% em 2017-2018.

No grupo alimentação, chama atenção ainda o crescimento das despesas com alimentação fora do domicílio, cuja participação passou de 24,1% em 2002-2003 para 31,1% em 2008-2009 e 32,8% em 2017-2018.

Os 15,1% da participação de outras despesas em 2017-2018 é dividido em 4,3% de despesas com vestuário, 3,6% com higiene e cuidados pessoais, 3% em despesas diversas, 2,6% em recreação e cultura, 1,3% em serviços pessoais e 0,5% em fumo.

Considerando não apenas as despesas de consumo, mas todas as despesas correntes, chamou atenção ainda o aumento de 2,1% em 2008-2009 para 3,2% em 2017-2018 da participação das despesas com diminuição do passivo (pagamento de dívidas).  A parcela destinada ao aumento do ativo, por outro lado, caiu de 5,8% para 4,1%. Ou seja, entre os dois períodos, separados por uma profunda crise econômica, as famílias brasileiras passaram a gastar mais com o pagamento de dívidas, ficando com menos recursos para investir.


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