A famigerada confiança

Por Yan Cattani

“A recuperação da atividade vai depender da recuperação da confiança”. A afirmação, apesar de recente, não é novidade. A fala de hoje do novo ministro da Fazenda Henrique Meirelles concentra uma série de decisões necessárias e complexas, divulgadas hoje em um pacote de novas medidas econômicas.

Enquanto a inflexão da confiança não se mostrar sustentável, as variáveis econômicas continuarão com tendências negativas. E entre os diversos setores que seguem cambaleando, o varejo talvez seja um dos que melhor sinalize os prejuízos de uma economia combalida.

De acordo com os dados do varejo apurados pela Boa Vista SCPC, o indicador de Movimento do Comércio caiu 5,0% em abril na avaliação dos valores acumulados em 12 meses, acelerando em 0,5 ponto percentual o movimento de queda registrado no mês anterior. Portanto, ainda é provável que até o término de 2016, o setor não consiga se recuperar e registre novo resultado negativo.

Apesar disso, segundo a Fundação Getúlio Vargas, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) avançou 3,5 pontos em maio, na comparação com abril, atingindo 67,9 pontos na análise mensal dos dados com ajuste sazonal. Esta melhora, momentânea, deve-se preponderantemente ao aumento do índice de Expectativas (IE), que subiu 8,1%, uma vez que o Índice da Situação Atual (ISA) subiu apenas 1,2%.

Pode ser o início de uma melhora? Ainda é cedo para dizer. O nível de confiança do consumidor continua bastante abaixo de sua média histórica. Para que o trabalho de recuperação da famigerada confiança de fato se concretize e que seja efetivo para que consigamos evitar um novo resultado de atividade econômica negativo em 2017, torna-se necessário que seja contínuo e imediato. E isso depende da aprovação de medidas pra lá de polêmicas por um governo em busca de credibilidade. Não vai ser fácil, nem rápido.

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