Ajuste varejista

As mudanças recentes nas alíquotas de tributos federais afetarão de forma significativa o comércio para o próximo ano. A Medida Provisória baixada na última segunda-feira, 31 de agosto, padronizou a taxação sobre o consumo de diversas mercadorias do comércio varejista, entre os quais destacam-se as efetivadas para o setor de supermercados e móveis. Além disso, a MP revogou o chamado “Programa de Inclusão Digital”, o que elevará os custos do setor de materiais para escritório e informática. A mudança faz parte da agenda de ajuste fiscal do governo, com estimativa de arrecadação extra de R$ 11 bilhões para 2016.

No setor de supermercados, os principais itens afetados serão as bebidas alcoólicas. A depender do tipo de bebida, a alíquota do IPI variará entre 10% e 30% do preço do bem. Já a elevação dos tributos, PIS/Pasep e COFINS, repercutirá em um aumento dos preços sobre produtos eletrônicos, até então isentos de tributação, fazendo com que um dos poucos setores que ainda cresce no comércio em 2015, o de materiais para escritório e informática, também seja negativamente afetado no ano que vem.

Para o comércio, as consequências negativas já esperadas pela conjuntura econômica certamente ficarão piores. Até julho deste ano, o percentual de pedidos de falência relativo ao comércio elevou-se 2 p.p. com relação ao ano passado, enquanto os demais setores, indústria e serviços, perderam participação. O número pode parecer pequeno, mas se forem observados os valores por porte empresarial, a realidade de 2015 é bastante contrastante: para pequenas empresas, o percentual de pedidos de falências passou de 25% em 2014 para atuais 27%; as médias empresas tiveram os pedidos reduzidos em 1 p.p. com relação ao ano passado, representando atualmente cerca de 13% entre todos os setores deste porte; as grandes empresas foram as mais afetadas, com falências atingindo 35% entre o total de pedidos, ante um valor extremamente menor observado em 2014, quando atingiu apenas 10% do total.

Para além das dificuldades internas, o ambiente externo também tem sofrido adversidades. O arrefecimento do crescimento chinês e os baixos crescimentos do Novo e Velho Mundo preocupam a própria OMC (Organização Mundial do Comércio), que prevê um dos piores anos de crescimento em 2015, com alta de 2,5% do comércio mundial. Este cenário poderá deteriorar-se ainda mais no ano que vem. A reestruturação para o comércio é, portanto, de natureza global. Talvez seja de bom grado que o varejo doméstico comece a preparar o seu próprio ajuste. 


Buscar por período:

TAGS

Posts relacionados

Reabertura com crédito

A flexibilização do comércio em diferentes regiões do Brasil traz incertezas na decisão de concessão de crédito. Diante deste cenário, a Boa Vista identificou um movimento de aceleração da adoção ao Cadastro Positivo pelas pequenas, médias e grandes empresas. Desde o início da pandemia, já somam mais de um milhão de consultas às soluções da…

IPCA avança 0,36% em julho, sendo o maior resultado para um mês de julho desde 2016

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,36% no mês de julho. No acumulado em 12 meses houve evolução para 2,31%, 0,18 p.p. acima da variação observada em junho.  Com esse resultado, o indicador acumulou alta de 0,46% no ano. O grupo Transportes (0,78%) foi o que registrou maior impacto positivo sobre o…

Pedidos de falência recuam 12,6% em julho

Os pedidos de falência caíram 12,6% em julho, na comparação com junho, segundo dados com abrangência nacional da Boa Vista. Mantida a base de comparação, os pedidos de recuperação judicial e as recuperações judiciais deferidas diminuíram 37,6% e 37,9%, respectivamente. Por outro lado, as falências decretadas registraram alta de 16,8% na variação mensal. Na análise…