Câmbio segue pressionado e terá reflexo sério na inflação

Por Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores

O cenário de euforia do consumidor brasileiro parece com os dias contados. A sensação positiva de ganhos em poder de compra no mercado doméstico durou enquanto o câmbio real/dólar favoreceu o assalariado brasileiro, cuja renda era reajustada enquanto os preços internos eram contidos por um real fortalecido. Hoje o mercado cambial chegou perto de R$2,17 antes da intervenção do Bacen. A autoridade seguirá atuando nos próximos dias. O Bacen corrigirá apenas o eventual descontrole, mas não atuará no sentido de derrubar o ajuste em curso. Fica a pergunta: qual seria o novo ponto de relativo equilíbrio na taxa de câmbio?

A desvalorização do real decorre do anúncio do FED, de que poderá reduzir o estímulo mensal pelas compras de títulos, hoje de US$85 bi mensais. Em decorrência, todas as moedas antes valorizadas de grandes exportadores de commodities, inclusive o Brasil, iniciaram o processo de ajuste, desvalorizando-se, em média, 5% nas últimas semanas. O Brasil, contudo, passou a liderar as desvalorizações nesta semana por receio, no mercado doméstico, de uma saída mais vultosa de capitais, num momento em que nossa balança comercial perde força. De fato, o ajuste em que o mercado mira é outro: a correção do custo salarial interno, em relação ao câmbio. A relação câmbio/salário, pelas contas da RC Consultores, estaria ainda desajustada em cerca de 10% com um câmbio de R$2,10, ou seja, a taxa cambial tem potencial de subir a R$2,31, o que não significa que isso ocorra logo. Esse movimento cambial, no entanto, pressiona mais a inflação, outra tremenda dor de cabeça para o governo em 2013.

Ed.203

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