Parece, mas não é

Por Flávio Calife/Bruna Martins

Novo levantamento da Boa Vista SCPC mostrou que o número de novas empresas no Brasil cresceu 6,4% no 1º trimestre de 2016 em relação ao mesmo período do ano anterior e 16,0% em relação ao 4º trimestre de 2015.

O número parece uma luz em meio à escuridão da atual atividade econômica. O que chama a atenção, no entanto, é que somente o número de novas MEIs (Microempreendedor Individual) aumentou cerca de 14% na variação interanual. A abertura de empresas nas demais formas jurídicas, Microempresas (MEs), empresas limitadas e empresas anônimas diminuíram no mesmo período.

As MEIs têm liderado as novas empresas desde a sua nova regulamentação em julho de 2009, mas vêm ganhando ainda mais destaque no período recente. No primeiro trimestre de 2015, já eram responsáveis por cerca de 71%, e nos três primeiros meses deste ano auferiram uma fatia ainda maior, atingindo 77% das novas empresas.

O levantamento pode ocultar um dado não tão positivo. Com o forte aumento das demissões e a redução das vagas com carteira assinada, muitas pessoas estão tentando a sorte como autônomos. Como o faturamento permitido para o enquadramento desta natureza jurídica é baixo, R$ 60 mil bruto por ano – com tolerância de 20%, e o recolhimento de impostos é simplificado, parte dos desempregados podem efetivamente estar migrando para um negócio próprio ou mesmo atuando como terceiros.

Se esse movimento caracterizar muito mais um empreendedorismo de necessidade do que de oportunidade, não temos de fato muito a comemorar.

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