A análise de riscos da clientela começa na abordagem

Roseli Garcia é diretora de Rede da Boa Vista SCPC

O risco de golpes e fraudes é uma constante em nosso dia a dia. Isso é fato consumado e incontestável, pois sabemos que não há como zerá-lo, quando no máximo, reduzi-lo já é um grande desafio. Entretanto, o que tenho observado em muitos empresários é, no afã de obter soluções tecnológicas de ponta para prevenir golpes e fraudes, eles acabam baixando a guarda em um aspecto extremamente importante: abordagem.

É evidente que os sistemas de prevenção a golpes e fraudes são altamente assertivos e eficazes, principalmente quando mais tecnologias são agregadas. Contudo, em momento algum isso significa que o empreendedor deva confiar tão e somente neles, deixando de lado as percepções na conduta com o cliente. Especialistas vêm alertando, cada vez mais, sobre a necessidade do próprio lojista – com base em sua experiência com a clientela – estabelecer critérios de triagem para detecção de golpes e fraudes, e é justamente esse o ponto de reflexão.

Em primeiro lugar, ressalto mais uma vez que não existe uma receita pronta e fechada para que qualquer negócio fique 100% seguro. O empreendedor, baseado no perfil de seus clientes, pode e deve estabelecer políticas de segurança, além de definir as “áreas cinzas” do negócio – ou seja, aquelas que requerem atenção redobrada. Em outras palavras: o empresário tem sim o poder de delinear diretrizes para seu negócio a fim de detectar um comportamento suspeito. E, inclusive, isso é importantíssimo que seja alinhado com o banco de dados de crédito utilizado por ele para que a detecção de condutas suspeitas seja ainda mais apurada.

No aspecto comportamental, há itens valiosos que o lojista deve atentar-se e treinar toda a sua equipe para que fique alerta a eles: quando há uma suspeita de fraude e o portador do documento demonstrar irritação, constrangimento ou chateação por apresenta-lo, isso pode contar diversos pontos contra ele. Outra dica comportamental que requer atenção máxima é quando o suposto contraventor afirma estar atuando da parte de um terceiro: mediante essas situações, faz-se obrigatória a consulta do documento.

Outro aspecto que deve ser acompanhado estritamente de perto é a sequência contínua e em prazos regulares de compras ou movimentações em valores pequenos, quase sempre semelhantes. Diversos contraventores utilizam-se desse recurso para dissimular uma grande movimentação. Com isso, a recomendação é clara: observando operações recorrentes do mesmo cliente e, quase sempre no mesmo valor, sinal de alerta.

Há também outro procedimento extremamente óbvio e que, de tão óbvio, acaba sendo ignorado: comparar a foto do documento com a do portador, bem como a coerência da data de nascimento. Muitos criminosos que utilizam documentos furtados acabam consolidando grandes operações baseadas simplesmente na distração das pessoas que os atendem. Confie na tecnologia, mas não deixe seus instintos de lado: ambos andam em sincronia, ou seja, de mãos dadas. É importante que você zele pela saúde de seu negócio sempre!

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