Águas de março

Por Yan Cattani

“É pau, é pedra”. Já esperados, os resultados consolidados e divulgados hoje pelo IBGE para a economia referente ao primeiro trimestre trazem dados bem negativos. Mas será “o fim do caminho” da recessão? É possível esperarmos uma inflexão da tendência de queda da atividade econômica ainda neste ano? O PIB (Produto Interno Bruto) recuou 0,3% na análise dessazonalizada contra o último trimestre de 2015, e 4,7% na variação acumulada em 4 trimestres dos dados sem ajuste sazonal.

O diagnóstico da demanda continua o mesmo: de um lado uma inflação elevada e a política monetária contracionista atuando como fortes determinantes da redução do poder de compra das famílias. De outro, as empresas acumulando estoques e realizando desinvestimento. Ademais, os gastos governamentais continuaram elevados, fator extremamente negativo para ocasião, dada a conjuntura de deterioração das contas públicas e suas implicações sobre o setor produtivo.

Já pelo lado da oferta, a indústria tem atuado como a verdadeira âncora da produção. A estagnação e recessão de setores notáveis como os da construção civil, petróleo e gás, bens de capital em geral, têm disseminado o desempenho negativo para as demais áreas de atividade produtiva, sobretudo para o setor de serviços, dependente em grande parte das demandas industriais – e o maior em termos de representatividade na produção total da economia.

Mas apesar do novo tombo da atividade agregada, já é possível observar uma desaceleração da queda das tendências dos componentes do PIB (em ambas óticas aqui detalhadas, da oferta e da demanda), em específico, a demanda das famílias e indústria.

Com esses resultados, espera-se que uma inflexão generalizada do movimento negativo dos componentes do PIB já ocorra no 3° trimestre, fato que apesar de ainda não retirar a economia da esteira da recessão, ao menos poderá implicar em uma retomada do crescimento econômico antes do previsto, contanto que os indicadores de confiança continuem a melhorar. São as águas de março, fechando o gélido inverno da depressão econômica. 

 

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