Alta da taxa Selic eleva entrada de recursos em renda fixa

Por Marcel Caparoz, da RC Consultores

O Banco Central divulgou hoje os dados do setor externo brasileiro, que registrou em fevereiro de 2014 déficit nas transações correntes de US$ 7,45 bilhões. Todas as três contas tiveram saldo negativo, com destaque para a conta de serviços, com déficit de US$ 3,48 bilhões. Por outro lado, a conta capital e financeira (que não faz parte das transações correntes) apresentou forte superávit no mês, de US$ 7,63 bilhões, mais que compensando o déficit das transações correntes, resultando num saldo positivo da balança de pagamentos de US$ 222 milhões em fevereiro de 2014.

A entrada de recursos externos na economia em fevereiro de 2014 ficou concentrada nos investimentos estrangeiros diretos – IED (US$ 4,13 bilhões), como já vinha acontecendo, e nos investimentos em carteira, principalmente em títulos de renda fixa, que em fevereiro de 2014 registrou o segundo mês consecutivo de forte superávit (US$ 2,56 bilhões), acumulando no ano entrada US$ 5,86 bilhões. O recente processo de elevação da taxa Selic, que saiu do patamar de 7,25% para 10,75% a.a. atualmente, elevou a atratividade dos títulos brasileiros, dado o grande diferencial de taxas em relação ao mundo, principalmente em relação às regiões desenvolvidas como Europa, Japão e EUA. No entanto, o atual processo de redução da ajuda monetária do FED para a economia americana deverá elevar no médio prazo a taxa de juros do país, reduzindo o diferencial de juros e a atratividade dos títulos da dívida dos demais países do mundo, principalmente dos emergentes, como o Brasil. O financiamento externo brasileiro permanecerá dependente do ânimo dos mercados internacionais nos próximos anos.

Ed.386

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