Chavez e seu sonho bolivariano

Por Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores

Será realizada hoje em Caracas a cerimônia oficial de despedida de Hugo Chavez com a presença de representantes de 80 países.  Hoje também será realizada uma sessão extraordinária da Assembleia Nacional para tratar da posse de Nicolás Maduro como presidente e da convocação das eleições. A influência de Chavez continuará se fazendo sentir por bastante tempo, dentro e fora da Venezuela. A dimensão histórica de Chavez será medida em função de parâmetros que não mudam muito no julgamento a longo prazo de um líder revolucionário. O primeiro parâmetro se refere ao tamanho do sonho político. O segundo tem a ver com a capacidade de aglutinar forças e apoios múltiplos. O terceiro parâmetro diz respeito aos resultados efetivamente conquistados.

Chavez atingiu uma alta pontuação no tamanho do seu sonho, pela trajetória íngreme de ascensão político-social que teve de percorrer até chegar à revolução bolivariana. Veio de berço pobre e seguiu carreira militar. No poder, foi basicamente fiel ao que pretendia: minorar a carência de renda da maioria da população venezuelana, tão pobre em um país tão rico.  No capítulo distributivo, Chavez acertou em cheio e por isso será sempre lembrado. No aspecto de reunir apoios, falhou redondamente: quem de fato ascendeu ao poder foram grupos já encastelados em privilégios, como sindicatos, milícias, militares, juízes, burocratas e até meros bandidos, violadores da lei. Dai o aumento brutal da violência urbana no país e os problemas que o próprio Chavez enfrentou com o poder interno da PDVSA. Com relação aos resultados efetivamente conquistados, Chavez nunca percebeu que não existe revolução positiva com resultados negativos na economia. A despeito de preços muito favoráveis do petróleo, a petroleira venezuelana conseguiu o prodígio de produzir menos petróleo, caindo a produção em quase 20%. A birra de Chavez com o setor empresarial também foi desastroso para seus propósitos. Chavez se foi em meio a uma forte desvalorização da moeda, que trará empobrecimento e dureza, além de inflação. O fracasso na economia tornou o sonho de Chavez um sonho sectário, divisionista. O sucessor de Chavez terá grandes desafios a enfrentar.

Ed.139

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