Crédito para Autos e Imóveis perde fôlego

Por Thiago Custódio Biscuola, da RC Consultores

As operações de crédito no sistema financeiro confirmam a tendência de acomodação observada nos últimos meses, segundo dados divulgados ontem pelo BACEN. Embora o resultado de setembro de 2013 tenha sido prejudicado, em parte, pela greve dos bancários, o estoque de crédito registrou alta de 0,8% em setembro de 2013 frente a agosto. As concessões por dia útil tiveram aumento de 4,3% na comparação anual, o pior resultado desde outubro de 2012. Por outro lado, o aumento da taxa básica de juros já começa a se refletir nos juros das operações de crédito. Em relação a agosto, houve elevação de 19,3 para 19,5% da taxa média de juros cobrada pelo sistema. Já o prazo médio declinou de 98 para 96,7 meses. Mais importante, a inadimplência subiu pela primeira vez desde outubro de 2012, alcançando 3,3%.

Se, por um lado, o crédito como um todo ainda caminha a passos rápidos, por outro o cenário atual vem ressaltando crescentes contingências à expansão dos empréstimos. Os bancos privados têm restringido as novas concessões enquanto os públicos começam a apresentar resistência a continuar ampliando suas carteiras. Um exemplo claro são os financiamentos para aquisição de veículos que viram sua velocidade de crescimento cair de 50% ao ano, em meados de 2011, para os atuais 1,8%. Até os financiamentos imobiliários, carro chefe nos últimos anos, também apresenta perda de fôlego. A fraca demanda por crédito tem dificultado o repasse do aumento dos juros. O crescente endividamento das famílias é a maior contingência à expansão do crédito. Em agosto de 2013 as dívidas alcançaram 45,4% da renda familiar anual, o que já começa a refletir no aumento da inadimplência. O crédito continuará a se expandir num ritmo cada vez menor. O varejo e as vendas de automóveis refletem está tendência. Enquanto o volume de vendas do varejo crescerá menos que 4% este ano (pior resultado desde 2003), as vendas totais de automóveis (domésticos e importados) ficarão apenas estáveis em relação a 2012.

Ed.303

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