Emissão de ações e títulos tem final melancólico

Por Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores

O ano de 2014 entrará para a estatística financeira nacional como o mais fraco desde o plano Real. A emissão primária de ações teve apenas uma oferta inicial, a da empresa Ourofino. Na renda fixa, as emissões de debêntures também recuaram fortemente, em especial na metade final do ano, para concluir o período de modo melancólico, 65% menor do que as emissões de 2013. O mesmo aconteceu com as cédulas e certificados do mercado imobiliário, CCIs e CRIs, e, de modo análogo, os fundos de direitos creditórios e imobiliários. As quotas de fundos sofreram queda de 47% em relação ao ano passado.

A silenciosa derrota do mercado de capitais em 2014, bem sublinhada pela variação negativa do índice Bovespa, agora beirando 49 mil pontos, num panorama aterrador do preço de suas ações mais procuradas – Vale e Petrobras – indica, sobretudo, o retorno do País ao período de dominância dos títulos de emissão do governo federal. A recente Ata do Copom indica que fará novas altas “parcimoniosas” numa alusão eufemística aos juros básicos mais altos do mundo. Nada é parcimonioso nesta política de arrocho financeiro que os economistas locais caracterizam, erroneamente, como “política de austeridade”. Trata-se de uma política desenhada exclusivamente para viabilizar o financiamento do governo gastador e seus títulos de dívida, ao mesmo tempo em que comprime e até elimina o espaço para financiamento dos investimentos e do consumo privados. Daí a destruição total do mercado de emissões primárias de ações no Brasil. Compare-se este ‘não-resultado’ com a vivacidade das emissões de novas ações, principalmente de start-ups, no mercado americano. Aqui as iniciativas privadas só têm viabilidade se nascerem no vasto colo financeiro do próprio governo. Viramos irrelevantes do ponto de vista do mercado de capitais. Não espanta, portanto, o estado de desânimo geral. Nada que a nova equipe econômica possa fazer. Trata-se de um regime que optou, permanentemente, pela estagnação como forma de “desenvolvimento”.

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