Longe demais da meta

Por Flávio Calife e Yan Cattani, da área de Indicadores e Estudos Econômicos da Boa Vista SCPC

A inflação acelerou em janeiro e já é a maior em 12 anos, acumulando 7,14% nos últimos 12 meses, ultrapassando em muito a meta de 4,5% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional. A alta dos preços administrados (energia elétrica, combustíveis, transportes) foi determinante para o aumento recente do índice.

A meta de inflação brasileira está muito longe de ser ousada. Países vizinhos como o Chile, México ou Peru possuem metas bem mais apertadas, 3% nos dois primeiros países e 2% no terceiro. Todos com apenas 1% de margem de tolerância. E esses países têm convivido com taxas de crescimento da economia bem superiores às brasileiras. Por parte da autoridade monetária, o Banco Central (BC), a leniência com a inflação tem prevalecido nos últimos anos, alinhado de certa forma ao discurso de que o “combate ao aumento dos preços não poderia sacrificar o crescimento”.

Nesse interim, a troca de diretores ocorrida ontem no BC não parece sinalizar maior austeridade na política monetária. Carlos Hamilton, de saída da área de Política Econômica, tinha um perfil ´hawkish’, mais agressivo no combate à inflação. Luiz Awazu, que assume a sua posição, é considerado ‘dovish’, o que deve levar a um ritmo mais lento do aperto monetário. Os dados de hoje pioraram as expectativas de inflação para o ano e a mudança de cadeiras no BC não vem em boa hora. Por menos ousada que seja nossa meta de inflação, ela está cada vez mais longe der ser atingida

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