Meta inflacionária: mais uma odisseia tupiniquim

Por Bruna Martins e Yan Cattani, da área de Indicadores e Estudos Econômicos da Boa Vista SCPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2014 com alta de 6,41%, após aumento de 0,78% em dezembro. Apesar da elevação dos gastos com alimentos e bebidas e habitação, responsável por mais da metade do resultado do índice, a fraca atividade econômica contribuiu para que a inflação ficasse abaixo do teto da meta, em linha com as expectativas de mercado.

Esse resultado não deve ser comemorado. Embora as declarações do Banco Central ao longo do ano indicassem que a inflação convergiria para o centro da meta, o último ano que observamos tal façanha foi em 2009 (4,31%). Desde então não houve um ano em que o resultado não estivesse mais próximo ao teto do que ao centro da meta, com destaque para os 6,50% registrados em 2011.

À beira do aumento dos preços de bens e serviços administrados (transporte e energia elétrica) e diante da desvalorização do real ante o dólar, podemos esperar que a inflação ultrapasse o teto da meta ainda neste início de ano e que permaneça em patamar elevado durante o primeiro semestre. Em contrapartida, a tendência de desaceleração dos preços livres em conjunto com o ajuste fiscal prometido e também com o atual ciclo de elevação da Selic são medidas que deverão surtir efeito até o final do ano, contribuindo para amenizar a elevação do nível de preços, porém não em magnitude suficiente para atingir um patamar muito mais cômodo para a autoridade monetária. A desejada convergência da inflação para sua meta deverá novamente ser postergada. A odisseia continua.

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