Nova alta de juros reflete dúvida do BC sobre a economia

Por Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores

O Comitê de Política Monetária do Banco Central definiu ontem em 0,5 ponto percentual a alta da taxa básica de juros (Selic), que passou de 8,0% para 8,5%. Era o aumento esperado pelo mercado. A bolsa abriu hoje em alta, refletindo concordância com a linha adotada pelo Comitê. Porém, nem o BC nem o mercado estão seguros do que vem pela frente. O vetor inflacionário deixou de ser os preços em dólares das commodities e a força do consumo. A inflação daqui para frente será alimentada pelos repasses de câmbio desvalorizado sobre os custos de produção.

A tese de que o BC deve continuar aumentando juros é baseada na necessidade de se compensar a política fiscal frouxa com uma política de juros mais restritiva. Enquanto o governo pisa no acelerador fiscal, o BC teria que pisar fundo no pedal do freio. A despesa pública não conseguirá compensar a desaceleração do consumo privado, já em curso. Mas a curva de juros em alta será suficiente para desmotivar expectativas, especialmente quanto a novos investimentos. Portanto, o governo deixa para o BC a responsabilidade de combater a inflação pelo pior lado possível, que é freando mais a produção doméstica do que o consumo. O BC também já percebeu que está em uma armadilha recessiva.

Ed.224

Comentários

comentários

Posts relacionados

CAGED: Setembro registra sexto saldo positivo consecutivo

Segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho, em setembro o saldo de vagas no mercado de trabalho (diferença entre novas contratações e demissões) foi positivo em 34,4 mil postos. Deste modo, a leitura atual contrasta quando comparado ao mesmo período do ano anterior, quando foram encerradas 39,3…

Movimento do Comércio sobe 1,5% em setembro

O Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, subiu 1,5% em setembro quando comparado a agosto na análise com ajuste sazonal, de acordo com os dados apurados pela Boa Vista SCPC. Na avaliação acumulada em 12 meses (outubro de 2016 até setembro de 2017 frente ao…

IBC-BR recua 0,38% em agosto e 1,0% no acumulado 12 meses

18 de outubro 2017 – Segundo o Banco Central, o indicador antecedente da atividade econômica (IBC-BR[1]) recuou 0,38% na comparação mensal contra o mês de julho (dados dessazonalizados). Considerando a variação acumulada em 12 meses, o ritmo de queda segue diminuindo: a leitura de agosto apresentou um recuo de 1,0% (após registrar queda de 1,4%…