O pior já passou?

Há muito tempo que os analistas de mercado não davam uma trégua em suas expectativas para as principais variáveis da economia. Depois de 14 semanas de más notícias, os analistas reduziram suas expectativas de inflação para 2015 e a previsão para o desempenho da economia parou de piorar. A expectativa de 8,20% para a inflação, 1,7 p.p. acima do teto da meta, recuou consideravelmente para 8,13%, enquanto as projeções para o crescimento da economia mantiveram-se negativas em 1,01%. As expectativas de recuo da inflação ganham adicional força, pelo menos no curto prazo, com a redução das possibilidades de maiores desvalorizações cambiais – após 6 semanas as projeções para o câmbio também pararam de subir.

Menores expectativas de inflação reduzem as necessidades de adicionais elevações da taxa básica de juros. Com isso, a taxa Selic manteve seu nível esperado para o ano em 13,25% pela segunda semana consecutiva. Em termos de política fiscal, estabilizou-se também a expectativa dos analistas para a meta de superávit primário, que se manteve em 0,9% do PIB. A notícia não chega a ser muito animadora, já que ainda está muito aquém do 1,2% prometido pelo ministro da Fazenda.

Na atual conjuntura, dados não negativos podem ser considerados por si só avanços. Os números referentes à última safra “ruim” do primeiro bimestre do ano ainda serão conhecidos. Amanhã saem os dados da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, que deverão confirmar o cenário de demanda do consumidor enfraquecida, com pequena elevação no mês de fevereiro. Na quarta, caso confirmados os dados de menor atividade varejista, podemos esperar números negativos do principal indicador antecedente de atividade econômica, o IBC-BR, do Banco Central.

De qualquer forma, depois de tanto tempo amargando notícias ruins, os analistas parecem dar uma trégua às expectativas para o andamento da economia em 2015. Se não for somente um suspiro, um pouco de tranquilidade econômica em meio às dificuldades políticas pode dar algum alento aos indicadores de confiança da economia.

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