Perspectivas distintas para o varejo

Por Thiago Custódio Biscuola, da RC Consultores

O volume de vendas no varejo registrou, em março, queda de 0,5% na série com ajuste sazonal. Contribuíram para este resultado a retração das vendas de: combustíveis (- 1,5%); supermercados, alimentos e bebidas (- 1,0%); e tecidos, vestuário e calçados (- 0,8%). Quando comparado a março de 2013, as vendas recuaram 1,1% devido, sobretudo, ao feriado carnavalesco que diminuiu o número de dias úteis. Apesar deste resultado, o volume de vendas encerrou o trimestre com alta de 4,5% frente a igual período de 2013. Em doze meses encerrados em março, o setor apresenta, também, crescimento de 4,5%.

Alguns setores em que a demanda é inelástica, ou seja, bens essenciais e menos suscetíveis a variações de preço, renda, juros e crédito ainda continuam apresentando crescimento robusto. Este é o caso de combustíveis, de artigos farmacêuticos e médicos e de artigos de uso pessoal, que acumularam alta no trimestre de 8%, 12,7% e 7,4% respectivamente. Por outro lado, os segmentos em que a demanda apresenta maior elasticidade começam a sofrer um pouco mais. Itens mais supérfluos da cesta básica, roupas e calçados, livros e revistas têm apresentado fraco dinamismo este ano. O aumento de apenas 2,4% das vendas nos supermercados e de 0,5% das vendas de têxteis, confecções e calçados no primeiro trimestre denotam o impacto da elevada inflação e da menor renda disponível das famílias. O ponto mais crítico talvez seja a retração de 4% da venda de veículos este ano. Móveis e eletrodomésticos se beneficiam, por ora, da Copa do Mundo. O varejo este ano ainda deve apresentar um crescimento inercial, mas com desempenho bastante distinto entre os segmentos.

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