Pesquisa DataFolha revela um país amadurecido e disposto a mudar

Por Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores

A pesquisa DataFolha publicada neste domingo revela de modo inédito a face de um país que amadurece a passos largos e se revela disposto a encarar mudanças. A pesquisa não foi publicada em sua inteireza. Mas os resultados no campo econômico e comportamental são reveladores. Em relação aos impostos, em especial, podemos considerar espantoso – por ser tão elevado – o percentual de respondentes (49%) que acha preferível pagar menos impostos a ter que arcar com serviços de educação e saúde oferecidos pelo Estado. Nesse item, 43% estão do outro lado, preferindo os serviços “gratuitos” do Estado. A reportagem da Folha interpretou esse resultado como “dividido”, entre o País que prefere mais ou menos presença do Estado na vida econômica das famílias. O resultado parece ser reforçado por outra questão, se o governo deve ou não ser o maior responsável por investir para a economia crescer: 67% disseram que sim, enquanto 24% responderam que as empresas devem fazê-lo.

Nossa interpretação diverge da reportagem e ressalta o caráter privatista que, de fato, está escondido nas respostas do brasileiro a esta excelente pesquisa nacional. Não foi cogitado que o brasileiro da classe C para baixo em geral não se percebe pagando imposto. Isso decorre da total falta de informação e transparência sobre o que esse indivíduo paga. Considerando que as classes C, D e E são as que mais pagam os impostos indiretos sobre consumo e estas constituem mais de 70% da população, o número de respondentes que rejeitam mais impostos e preferem sua independência frente ao Estado é surpreendentemente elevado! Não se deveria esperar mais do que uma pequena minoria rejeitando benesses do governo. Mas, se devidamente informada de que não há serviços gratuitos, a proporção seria majoritária. E quanto aos que esperam que o governo conduza os investimentos, é natural que seja assim, pois os respondentes estariam pensando em serviços públicos e infraestruturas, com toda certeza. Não há qualquer traço de “esquerdismo” de cunho ideológico nessas respostas. Vemos uma população amadurecida, tentando preservar um futuro melhor, cobrando do Estado mais e melhor gestão e, mesmo com o olhar tapado pela venda da desinformação, conseguindo enxergar o que paga frente a um Estado tão voraz quanto paquidérmico.

Ed.330

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