Pressões divergentes sobre o câmbio

Por Thiago Custódio Biscuola, da RC Consultores

A balança comercial brasileira registrou o melhor resultado do ano no mês de setembro com superávit de US$ 2,14 bi. Apesar deste resultado, o saldo acumulado no ano ainda opera em campo negativo, US$ – 1,622 bi. Este é o pior resultado desde 1998 para os primeiros nove meses do ano. Se nos últimos anos o saldo comercial amenizava a necessidade de financiamento externo, neste ano a contribuição será mínima, uma vez que o saldo comercial não deve ultrapassar US$ 2 bi no ano. O déficit em transações correntes deve alcançar a casa dos US$ 80 bi em dezembro de 2013, o equivalente a cerca de 3,6% do PIB, pior resultado desde 2001.

Segundo a tradicional teoria econômica, este processo de deterioração das contas externas implicaria em um movimento de depreciação no câmbio ao longo do tempo. No entanto, o que vemos na prática são pressões divergentes atuando simultaneamente sobre o câmbio. Se por um lado a crescente necessidade de financiamento externo exige um real desvalorizado, por outro, o movimento de alta dos juros básicos, assim como o relativo dinamismo do Ibovespa e certa resistência do preço das commodities, pressionam o real para baixo. O Modelo Cambial RC já previa em agosto que o patamar de R$2,45/US$ não iria se sustentar. Procurando reduzir a volatilidade do Real e impedir um maior impacto sobre a inflação, o BACEN lançou mão de um grande programa de oferta de liquidez por meio de leilões de câmbio. Estima-se que até o fim deste ano tal oferta possa atingir US$ 100 bi. Estas demonstrações de força reiteram nossas expectativas de que as pressões divergentes devem resultar num câmbio oscilando na faixa R$2,20 até Dez13, com modesta desvalorização em 2014.

Ed.286

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