Reivindicações salariais podem comprometer trajetória da inflação

José Valter Martins de Almeida, da RC Consultores

Adormecido por repetidos aumentos salariais concedidos por empresas e governo na era Lula, o movimento grevista voltou com força total em 2012. São mais de 40 greves em todo o país. Grandes categorias profissionais como metalúrgicos, bancários e petroleiros se preparam para brigar por ganho real de até 10%, além de reposição da inflação, na esteira do “exemplo” dos servidores federais.

Na área pública, a concessão desses aumentos colocará em risco a execução do Orçamento.  Os salários do setor público já ultrapassam os seus equivalentes no setor privado. Segundo o IBGE, o crescimento do rendimento médio efetivo nominal dos salários nas seis maiores regiões metropolitanas no período 2002/2012 foi de 7%, ultrapassando a inflação mais produtividade.  No mesmo período, o crescimento do rendimento médio dos salários do setor público foi de 9%.  Demandas por aumento real de salário, com pressão de preços agrícolas e previsão de aumento dos derivados do petróleo, representam uma combinação explosiva, que poderá comprometer a trajetória da inflação e, por isso, da política de redução de juros.

Ed.12

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