Arrefecimento mais forte do mercado de trabalho

Por Thiago Custódio Biscuola, da RC Consultores

Foram criadas 58,8 mil vagas de trabalho com carteira assinada em maio segundo o CAGED. Este foi o pior resultado para o mês em 22 anos. O grande vilão foi o elevado nível de demissões na indústria de transformação que registrou 342 mil desligamentos e um saldo negativo de 28,5 mil vagas. A criação líquida acumulada em 12 meses atingiu apenas 3,6 mil vagas, beirando a redução de estoque de vagas. Impediu pior resultado o setor agropecuário, com um saldo positivo de 44,1 mil empregos. Nesse sentido, o ainda dinâmico setor de serviços, beneficiado nos últimos meses pelos preparativos para a Copa, teve contribuição positiva, principalmente dos segmentos de alojamento, alimentação, reparação, manutenção e redação, que criaram juntos 11,8 mil vagas.

O pessimismo que ronda a economia brasileira neste primeiro semestre é umas das principais razões que tem motivado a falta de ímpeto das contratações. A queda da confiança dos empresários e consumidores tem inibido os investimentos e postergado as decisões de consumo, em linha com o elevado patamar de juros e o mercado de crédito mais restritivo. O fraco resultado do PIB no primeiro trimestre já foi um indicativo da fraca atividade econômica no Brasil. Nos primeiros cinco meses de 2014 a criação líquida de vagas acumulou saldo de 543,2 mil, contra 669,3 mil em igual período do ano passado. A perspectiva de que o Brasil criaria 1,5 milhões de vagas este ano deverá ser revisada para baixo pelo Ministério do Trabalho e está muito longe de ser alcançada. O ciclo de demissões tende a continuar, principalmente com a fraca evolução da indústria, que apesar do anúncio da desoneração da folha de pagamento mantém os desligamentos.

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