As fragilidades da retomada europeia após a crise

Por José Valter Martins de Almeida, da RC Consultores

O índice de compras na atividade de produção e serviços do euro divulgado hoje caiu dos 53,4 pontos em maio para 52,8 em junho. Apesar do recuo do indicador, foi o 12º mês que o índice superou os 50 pontos, leitura que indica que há expansão da atividade. No entanto, é o segundo mês consecutivo de queda no indicador, sinalizando que a recuperação na zona do euro perde o fôlego.

O próprio presidente do BCE, Mario Draghi, alerta para a vulnerabilidade da retomada da economia da zona do euro. Um grupo de economistas reunidos no Center for Economic Policy Research – Cepr – concluiu que a recessão na zona do euro não acabou, apenas atravessa uma pausa prolongada. O grupo não prevê a duração do ambiente de recessão e ressalva que constatar que ela ainda não acabou tampouco reflete uma projeção negativa sobre o crescimento futuro das economias que usam a moeda europeia. Mas não é só da Europa que vem o sinal amarelo. O risco de uma bolha estar se formando não deve ser descartado. As subidas das principais bolsas do mundo nos últimos anos, impossíveis de justificar com base no inexistente dinamismo no campo produtivo real, é um indicador importante. Se uma nova crise financeira global se transmitir à esfera real, entraremos na segunda fase da grande recessão iniciada em 2007, após alguns anos de estagnação. Desta vez, no entanto, será impossível ao setor público absorver parte do choque da mesma maneira. A política monetária, inclusive a não convencional, já não tem instrumentos à disposição, e a margem para aumentar o endividamento público é agora mais reduzida.

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