Paixões econômicas

Poucas áreas do conhecimento provocam discussões tão acaloradas e tão apaixonadas quanto a ciência econômica. A economia é uma ciência social que se esforça para se transformar em um instrumento de análise objetiva, com respostas concretas e definitivas sem fazer nenhum juízo de valor, mas esbarra nos limites ideológicos e passionais. Por mais díspares que sejam suas ideologias, todo economista costuma ter um objetivo fundamental em suas análises: encontrar uma solução para os problemas sociais.

Economistas estudam temas delicados como a pobreza, o crescimento e a desigualdade, e muitas vezes a sensibilidade com o contexto afeta a racionalidade das conclusões. Tentando encontrar um padrão de comportamento humano, nem sempre racional, a economia até já foi apelidada de forma depreciativa de “ciência sombria” ou “funesta” como resposta à sinistra teoria populacional de Thomas Malthus, economista do século XVIII que previa a inevitabilidade da fome como resultado do crescimento da população exceder a oferta de alimentos.

Mas superados os pessimismos, e com a grande expansão das economias a partir da Revolução Industrial, os estudos econômicos passaram a se concentrar em questões mais intensas, sempre tentando encontrar uma solução para três características essenciais das sociedades modernas: como equilibrar eficiência econômica com justiça social e liberdade individual? É aí que surgem os grandes embates. Qual a melhor forma de equilibrar essas variáveis? As forças de mercados são mais eficientes ou é necessária a intervenção reguladora dos governos? O debate é apimentado e as discussões de relacionamentos são intermináveis.

A atual discussão sobre o ajuste fiscal é mais um exemplo. Ele é mesmo necessário? A quem beneficiará? Trará maior eficiência para a economia sem aumentar os desequilíbrios entre ricos e pobres? Difícil dizer qual a resposta mais adequada. Nesse momento as discussões econômicas se entrelaçam com os exaltados debates políticos. E nesse contexto Keynes acertou ao dizer que “Homens práticos, que acreditam ser isentos de qualquer influência intelectual são geralmente escravos de algum economista morto”. Ideias e paixões movimentam o mundo e são importantes combustíveis para transformações. O desafio é acrescentar à elas a racionalidade nas decisões.

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