Sem demanda, sem oferta

Já se sabe que o desempenho das variáveis de crédito em 2015 foi bastante fraco. Influenciada não só pela deterioração da conjuntura econômica e política, a notícia passa longe de ser um fato novo, mas os condicionantes da oferta sofreram especial revés.

A majoração dos juros, sem dúvida, contribuiu de forma incisiva na grande desaceleração das concessões de crédito: em termos acumulados em 12 meses, elas passaram de um aumento de 5,1% encerrados em 2014 para uma queda de 3,3% observados em 2015.

Outra variável importante para desaceleração da oferta de crédito é sua própria contraparte de mercado, a demanda, que tem se mostrado cada vez mais enfraquecida. De acordo com dados nacionais da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), em janeiro de 2016 o indicador de Demanda por Crédito do Consumidor apontou queda de 2,8% na avaliação mensal contra dezembro, na série de dados com ajuste sazonal. Na variação acumulada em 12 meses, o indicador manteve a queda de 6,7% registrada em dezembro.

Esses novos dados mostram a continuidade de um consumidor bastante cauteloso. A confiança dos agentes econômicos tem sido minguada consistentemente nos últimos três anos, fenômeno que somado à experiência de um consumidor já maduro em temas que envolvem seu endividamento, colaboram para que a procura por crédito em tempos incertos diminua de forma considerável. Após leve inflexão da tendência do indicador em 2015, que parara de cair, janeiro registra uma manutenção da tendência na mesma magnitude observada no mês anterior. Mantido esse cenário, a recuperação da demanda por crédito coloca em dúvida a hipótese de uma possível retomada de níveis positivos ainda em 2016.

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